Até à Revolução Científica do século XVII

 

  Na Idade Média fazia já parte do senso comum a teoria de que a Terra é redonda e não achatada. Mas estava também enraizada a ideia de que a Terra se encontrava imóvel e era o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas que giravam à volta da Terra em movimentos circulares. A Terra era o centro do universo.

Era esta a concepção deixada por Platão, Aristóteles e Ptolomeu.

Segundo Aristóteles havia um divisão do universo segundo uma hierarquia de ser e perfeição:

 

Ø                       O mundo sublunar era imperfeito, sendo constituído por quatro elementos – Terra, Água, Ar e Fogo; os seus movimentos eram naturais e forçados ou violentos, distinção baseada num conceito filosófico de lugar natural, onde os primeiros repõem os objectos nos respectivos lugares naturais e os segundos forçam-nos a sair desses lugares. Caixa de texto:  
Aristóteles
Porém o movimento é descrito consoante o que se observa na natureza, - o cão corre para o osso, não é o osso que se mete na boca do cão - rejeitando o conceito de movimento relativo.

Ø                       O mundo supralunar era perfeito, sendo constituído por uma quinta essência – o éter; existia um movimento único, circular e uniforme.

A divisão em dois mundos constitui a base da divisão entre a Física e a Astronomia.

A Física estudava o mundo sublunar, dedicando-se à investigação das mudanças e movimentos deste mundo imperfeito e a Astronomia estudava o mundo supra lunar tentando explicar os fenómenos como resultado dos seus movimentos geométricos circulares e uniformes. A Física era uma ciência qualitativa e a Astronomia uma ciência Matemática.

Este modelo vingou durante bastante tempo, sendo trazido para a Europa através da influência árabe na Idade Média, e adoptado pela Igreja Cristã.

É entre o século XVI e o século XVII que se começa a sentir na Europa uma alteração das concepções do mundo e do homem, que culminará numa revolução científica.

Caixa de texto:  Nicolau CopérnicoTerá começado provavelmente em 1543 no momento em que Nicolau Copérnico publica o De Revolutionibus Orbium CŒlestium. É nesta obra que se encontra pela primeira vez uma astronomia matemática, com cálculos e demonstrações, abandonando o princípio legado pela tradição, segundo o qual a Terra se encontra no centro do Mundo, imóvel, e atribui-lhe uma nova localização. A Terra, como todos os outros planetas, gira em torno do Sol, que se encontra imóvel no centro do universo.

Esta será a causa da revolução no pensamento científico. Durante algum tempo coexistiam diversas ideias, tanto novas como antigas. Os próprios protagonistas da mudança eram confrontados com o dilema dos dois pensamentos. Copérnico foi um bom exemplo deste facto, já que se pode verificar que mantinha no seu sistema heliocêntrico a ideia dos movimentos circulares, os movimentos perfeitos.

Começando em Nicolau de Cusa e entre Copérnico e Newton surgem diversas individualidades que tentaram introduzir novos conceitos, contrários ao saber tradicional, onde de entre muitos irei destacar alguns nomes como  Kepler, Tycho Brache, Giordanno Bruno e Galileu, este último como sendo o primeiro grande teórico da nova ciência, defensor da teoria copernicana, sendo também o primeiro a organizar as leis do movimento de um modo matemático, introduzindo o conceito de relatividade.

  A revolução só verá o seu fim em 1687, quando Isaac Newton publica a obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica. Esta obra é uma espécie de resumo e conclusão do pensamento de Copérnico a Newton. Tornou-se no seu tempo um modelo de ciência e do conhecimento, sendo considerado uma descrição do universo verdadeiro, que apenas começa a ser refutado a partir do  século XIX, até, finalmente, à chegada de Einstein.

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